Você não foi convidada?

Ô Clarice, você que decide se quer ir ou não, eu estou indo!  Você é quem sabe!

Eu te convido a cuidar de comunicação defensiva. Puxa!  Desejo que esta história garanta o seu bem estar.  

Clarisse entendeu que a Márcia não desejava a sua presença. Será que ela está alimentando pensamentos defensivos?  Isso, também te incomoda?

A jovem Clarice estava tão triste porque não conseguia terminar as atividades no atendimento psicopedagógico, naquele dia. Algo estava estranho e assim eu ofereci escuta.

Eu poderia ser violenta ou poderia não validar os sentimentos da paciente ou até poderia amenizar a sua dor com outras formas de abordagem. 

Normalmente é difícil ouvir uma queixa, porque para se conectar com a dor do outro, é preciso se conectar a nossa, reconhecê-la em nós. 

Podemos, neste caso, dizer qualquer coisa de uma forma paliativa ou de forma automática.

Exemplo de forma paliativa: “Nossa que bobeira, você acha que ninguém quer você!”

Esta forma de tratamento de choque é muito comum, porque as pessoas acreditam que deste modo podem retirar a adolescente daquele estado. 

Outro exemplo é a abordagem automática: “Aha! não liga, não. Ela deveria estar de mal humor naquele dia”.

Também são muito usuais essas expressões porque aprendemos que uma forma de protegermos o outro é trata-lo como se víssemos algo positivo naquela ação. Nesta abordagem, a pessoas usam eufemismos.

Em Comunicação não Violenta, eu sou uma eterna  aprendiz, porque a prática é constante e, nesta aprendizagem, me sinto bem ao parafrasear. Ouvi que sua amiga disse: “Você que decide se quer ir ou não, eu estou indo!  Você quem sabe!” Foi isso mesmo? 

Você se sente desanimada?

Frustrada ?

ou o que?

Um sorriso abriu-se em seu rosto e trouxe uma sensação de alívio para nós duas. Tocamos naquela dor. Eu ainda precisava de tempo para me conectar e ajustar os meus sentimentos aos dela. Já Clarice ao me ouvir, ouviu a si mesma também. 

Se eu não validasse os sentimentos da Clarice, eu abriria um abismo entre nós duas. Como psicopedagoga, eu me beneficio da comunicação não violenta para estas tarefas de escuta. Algumas vezes, também as dificuldades de aprendizagem estão relacionadas às emoções.

Sobre a comunicação defensiva, no caso da Clarice, ela se coloca em uma situação de resistência diante do que ela percebe como insuficiente para satisfazer suas necessidades. 

A adolescente decidiu encerrar o diálogo com a Márcia, mas ainda se sentia mal. 

Será que protelando  ficamos bem ou melhor?

Já a outra parte, a Márcia, que não sabe dos sentimentos da amiga, se afasta e ambas estão envolvidas com pensamentos e suposições.

 Normalmente julgamos sem observar os fatos, e isso pode ferir todos os envolvidos, podendo levar a perdas irreparáveis.

Pensando em comunicação interpessoal, eu perguntei para a Clarice: ” Você não percebe o que você está sentindo?  Tudo que nos afeta gera sentimentos. 

Ela olhando para os potinhos disse:

 Seria aflição?

Desapontamento?

Contrariedade?

E ali vi um olhar doce, cheio de angústias e de compaixão. A partir de um sentimento, expressamos uma necessidade. Ao incentivar a Clarice a despertar a sua criatividade na elaboração de estratégias ficou mais claro os seus sentidos. E completei: ” Vamos separar o que você pensa do que você sente?” 

Clarice, me disse: ” Eu vou dizer sobre mim, se a Márcia me tratou com indiferença, mas quero entender porque ela falou daquela forma.” 

Neste momento, Clarice expressa sua necessidade de compreensão.

Olhar para nossas questões pode fazer a diferença. Sim, eu ouço você dizer que as palavras da Márcia foram difíceis e que você precisa compreender as atitudes dela.

Neste momento, observei alterações na postura da Clarisse, que para mim, foram nítidas e de fácil reconhecimento.

Juntas abrimos um caminho largo para nos aproximarmos e ficarmos conectadas. Checamos as informações e o que ela necessitava. Clareando os sentimentos e necessidades, estamos caminhando para o desenvolvimento de estratégias.

Convidando a moça a olhar os potinhos e colocando os meus sentimentos, transmitindo com confiança, ela aos poucos foi pegando e outro um e outro e foi se permitindo…

Trouxe da cesta para mesa os potinhos:

Como aquelas sensações estavam incomodando a Clarice, ela aceitou o convite para fazer uma observação e não uma crítica ou acusação.  

Aos poucos, chegamos a estratégia e Clarice decidiu ter uma conversa franca e aberta com Márcia. Ela contou os sentimentos que as palavras proferidas por Márcia lhe causaram e daí também ouviu o que a Márcia tinha a lhe dizer. 

Para a surpresa de Clarice, Márcia disse que não deseja prendê-la às suas ideias e atividades.  Por isso, quis deixá-la livre para escolher.

Como a Clarice não deseja ser tratada desta maneira, mesmo com as explicações da Márcia, Clarice ainda contou suas necessidades e valores em relação aos sentimentos falados e fez um pedido claro. 

Eu preciso que você me convide e assim eu posso avaliar se devo estar com você. Não quero mais ouvir que se eu quiser eu posso ir, porque quero uma convivência harmoniosa com você, Márcia.

É importante estar estabelecido o valor daquela amizade, assim possivelmente, se reestabelecerão os vínculos.

As necessidades foram:

Contribuição

Compreensão

As necessidades não atendidas por traz das falas são fatores potencialmente bloqueadores da empatia.  Organizar os conflitos sob a luz da CNV é muito desafiador mesmo. Por isso, eu sugiro a prática constante.

O que pode estimular a Clarice a ser violenta consigo mesma?

Qual é a sua tática para lidar com estas situações? Isso está bem adaptado e funcional pra você aí que me assiste? O que perpassa por sua mente?

Eu convido–o a testar o que é mais adequado para a sua vida ser e tornar ainda mais maravilhosa!

Eu entrego, todas as quinta –feiras, as Pitadas de Girafeto. O que são as Pitadas? São vídeos curtos com algumas reflexões e com as contribuições práticas que eu vivencio no consultório. Gratidão, pela sua companhia!

maegirafa

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