As rodas de conversa e a potência do encontro

As rodas de conversa e a potência do encontro

Estar em círculo e conversar em círculo são fortes possibilidades de exercício de encontros verdadeiros e construtivos.

Segundo Pranis (2010), “os círculos partem do pressuposto de que existe um desejo humano universal de estar ligado aos outros de forma positiva”.

No círculo, todos os rostos são vistos para se falar de frente, a igualdade e a horizontalidade estão postas independente de hierarquia, grau de escolaridade, posição social e financeira, idade, sexo, raça ou cor.  Somos todas pessoas com experiências a respeitar. Afinal, experiências não se medem nem se avaliam pelos critérios acima. No círculo, nossa igualdade e horizontalidade são marcadas pela mesmíssima distância de cada um dos integrantes com relação ao centro.

Não é à toa que o círculo pertence a sabedoria ancestral das tribos indígenas, dos aborígenes e de outras culturas que não abrem mão da importância da construção de vínculos e de valores como respeito, humildade, espiritualidade, honestidade e compaixão. Um outro ensinamento ancestral é o de que a experiência humana se compõe de aspectos mentais, físicos, emocionais e espirituais. Aspectos que, reconhecidamente, perpassam pelo nosso equilíbrio e se tornam vitais para a saúde das pessoas e das comunidades.  

Assim sendo, “ os círculos criam, de modo intencional, um espaço onde todos os aspectos da experiência humana recebem reconhecimento e são bem-vindos” (PRANIS, 2010).

Mas a autora surpreende a muitos, quando faz uma analogia entre os círculos e o Universo. O círculo é a própria afirmativa de que tudo no Universo está interligado e que não é possível isolar algo sem atingir o resto. Quando agimos sob a ilusão de que podemos jogar algo fora, aquilo volta para nos envenenar de modo que muitas vezes não percebemos, já que tínhamos a impressão de que aquilo havia sumido. Compara com uma garrafa que jogada ao mar e com a intenção de livrarmo-nos dela sem sucesso algum. No cerne dos círculos está a beleza e a importância de reconhecer o nosso impacto no comportamento e na vida do outro, bem como a interconexão dos nossos destinos. Se é lá que o dano de um é um dano para todos, é lá que o bem praticado para um é um bem praticado para todos!

Embora seja preciso outros saberes e habilidades, exercitar a comunicação sem violência e a escuta em um círculo ou roda de pessoas é criar uma base forte e coerente com uma comunicação compassiva.

Referência:

PRANIS, Kay. Processos circulares. Teoria e prática. São Paulo: Palas Athena, 2010.

maegirafa

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