O Desenvolvimento da Autonomia Moral – Parte I

O Desenvolvimento da Autonomia Moral – Parte I

Em diálogos com professores e pais, muitas vezes nos deparamos com o desalento com algumas atitudes de nossos jovens e outras pessoas contrárias a princípios morais quase que indiscutíveis. Além disso, a indisciplina e a violência, muitas vezes, nos põem medo e nos desorienta.

Para Vinha e Mantovani de Assis (2008), é habitual pensarmos que estes desvios, daquilo que é esperado como comportamento moralmente correto, possam ser corrigidos com mais medidas duras e punitivas, todas de controle (vigilância, castigo, intimidação, barganha, persuasão, etc). A própria premiação, ainda que mais bem vista que o castigo e a punição, também se encaixa como medida de controle. O que temos, então, é uma polêmica instaurada: precisamos de mais controle? Ou precisamos de outros encaminhamentos e reflexões?

De início o que se tem como denominador comum é que, muito provavelmente, todo pai e educador gostaria que seus filhos e alunos respeitassem voluntariamente as regras, quando justas e necessárias, e independente das medidas de controle. Outras questões convincentes aparecem: O que um aluno ou filho aprendeu ao ser advertido, suspenso ou castigado? O que disso permanece durante a vida? Essas medidas ensinam alguém a desenvolver formas não violentas de expressar seus sentimentos, a desenvolver estratégias mais cooperativas, compassivas ou mais justas? É suficiente que o comportamento tido como adequado apareça somente enquanto as medidas de controle (monitoramento, contenção e acompanhamento) se fazem presentes? Enfim, o que isso significa em termos de permanência de comportamento, como real aprendizagem e autonomia moral?

Para as autoras (2008), “ o fato de fazer com que um comportamento não seja mais apresentado não significa que a criança percebeu as consequências de tal ato e as outras formas mais elaboradas de proceder, pode significar, que está sob controle por temor”.

No entanto, o que todos queremos é que nossos jovens ajam por princípios e valores construídos e que, independente das circunstâncias, mantenham seus padrões morais e suas condutas que atendam ao coletivo e à ética das relações de convivência.

Baseadas em Piaget, as autoras completam que o valor moral de uma ação não está na obediência às regras, mas no princípio inerente à ação, no motivo da obediência.

Quando nos apoiamos em medidas de controle, a fonte de obediência é exterior. Nossos esforços não atendem a autonomia e sim a heteronomia. A pessoa se sente obrigada, de alguma forma, a obedecer outra que é mais forte, detém o poder ou é a autoridade no momento. A pessoa heterônoma muda de comportamento moral em diferentes contextos.

Já, quando nos norteamos pela construção de uma moral autônoma, conseguimos que o indivíduo se apoie em um código de ética interno, ou seja, que ele aja por princípios e valores de fonte interior.

Segundo La Taille (2001), “a pessoa é moralmente autônoma se, apesar das mudanças de contextos e da presença de pressões sociais, ela permanece, na prática, fiel a seus valores e princípios em ação”.

Essa reflexão te orienta para esta primeira escolha: que moral você pretende para os jovens do mundo de hoje?

Em um próximo texto, pensaremos com você como construir uma moral autônoma, apesar dos desafios destes tempos considerados difíceis…

Fontes:

LA TAILLE, Y. Autonomia e identidade. Revista Criança. Brasília, DF, 2001.

VINHA, T.P; MANTOVANI DE ASSIS, O.Z. O direito de aprender a conviver: o ambiente escolar e o desenvolvimento da autonomia moral segundo a perspectiva construtivista. Anais do XXIV Encontro Nacional de professores do PROEPRE, Águas de Lindoia, 2008.

maegirafa

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