Raiva e poder sobre o outro

Num conflito, eu só me identifico com a raiva e poder do outro sobre mim, por que?
Luz e sombra

Num conflito, eu só me identifico com a raiva e poder do outro sobre mim, por que?

Eu ouvi esta frase de uma mãe de paciente.

Para pensarmos mais sobre isso, eu selecionei um trecho do livro do Pequeno Príncipe para elucidar este tema. A raposa, da história, sussurrou um segredo.

Senão um garoto inteiramente igual a cem mil garotos. Eu não tenho a necessidade de ti.  E tu também não tens a necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo…
– Como a Rosa para o Pequeno Príncipe! Ela também o tinha cativado! –  exclamei.

E a raposa lhe confiou o seguinte: “Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.”

O Pequeno Príncipe devia voltar para junto da rosa: era responsável por ela. Pena que raposa estivesse chorando um pouco.

Mas, havia sido ativada, sempre se lembraria do Pequeno Príncipe causa da cor do trigo.

Antes de partir, a raposa sussurrou seu segredo:
–  só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!

Livro O pequeno Príncipe (1943), do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), é a raposa.

Eu sei que é um grande desafio: compreender essa unicidade e, ainda assim, com as ferramentas que possuímos sem nos afetarmos tanto.

As Pitadas de Girafeto trazem a possibilidade de você temperar a sua vida da forma lhe seja mais confortável.

Imagine, por exemplo, o caso desta mãe que eu atendi. A situação se deu da seguinte forma: Ela precisava pedir para o parceiro e para os filhos que a apoiassem na organização do jantar. Ela, então, se dirigiu ao marido e filhos, que estavam deitados no sofá e com os olhos fixos nos jogos do celular, e fez o pedido. Porém, o marido e filhos, apenas com um gesto, pediram um tempo.

Extremamente incomodada com a postura do marido e dos filhos, a mãe reclamou, dizendo algo como: “Vocês nunca prestam atenção no que eu falo! Estou cansada destes celulares!  Na sequência, puxou com agressividade o celular das mãos do marido. As crianças ficam impactadas”.

Vamos lá: existe uma reivindicação por trás de cada mensagem que emitimos, mesmo que ela esteja encoberta por gritos, ofensas, julgamentos e agressões verbais ou físicas.

Conforme explica Marshall Rosenberg, sobre a comunicação não agressiva:

“Essas reações costumam ser bastante influenciadas pelas emoções, e não por um raciocínio lógico, o que aumenta sua intensidade”.

No texto do Pequeno Príncipe, foi mencionado que:

1- Só se vê bem com o coração;

2- Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.

Não estou, como  psicopedagoga e também mediadora, num  lugar de certo e errado neste exemplo. O campo que desejamos ajustar é um lugar de não violência por meio das necessidades de todos que não foram atendidas.  A CNV promove a linguagem conectada ao coração e  ao propósito de expressar-se honestamente.

Mas, Isso não significa que não haverá debates ou discussões, e sim, que será mais fácil chegar a um consenso.

 “Quais são suas necessidades nesta situação e o que querem os integrantes desta família, eu te pergunto?” E aferi com a mãezinha…

Os filhos rebatem : “Ohhh loco, você é chata, está terminando o jogo e papai é mais legal do que você! Ele está jogando com a gente ”.

Marido:  Você foi grosseira ao retirar meu celular da mão e eu poderia até revidar nas frente dos nossos filhos”.

Ao que a mãe rebate: “E vocês só querem jogar e não me dão atenção”

Pronto, esse é o início de um conflito que poderia ser evitado.

Será que esta mãe está querendo dizer que sente raiva porque tem necessidade de apoio, parceria e ajuda ?

E que para consegui-la, preferiria que os conflitos fossem resolvidos por meios não violentos?

A Comunicação não-violenta não é construída por meio de conteúdos e informações a serem aprendidas e, muito mais por práticas, valores e princípios que se valem por coerência e significado. Assim sendo, as respostas não estão comigo. Elas são validas à medida que convergem com as necessidades, sentimentos e estratégias dos envolvidos e que permitem que um conflito avance (sem violência ou controle externo) de uma condição turbulenta para uma condição minimamente mais confortável, mais solucionadora e respeitosa para todos).  Não se trata também e apenas de ser calma e controlada, mas sim de fortalecer a cultura de paz e responsabilidade.

Assim, como no texto do Pequeno Príncipe: O essencial é invisível aos olhos!

Ao receber, acompanhamento de um profissional, todo apoio a mãe que eu atendi foi possível direcionar as emoções invisíveis para algumas abordagens construtivas, sem julgamentos. E ganhamos confiança para mostrar as fraquezas, a medida que identificamos e partilhamos quais necessidades não estão sendo atendidas em um impasse conflituoso.

maegirafa

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